Eu queria poder gritar e transformar todas essas milhas de distância em nada. Eu queria correr pra me esquentar do frio e trazer o seu calor pra perto. Queria não chorar, não falar, não cometer um erro sequer. Queria saber voltar no tempo, saber como estar com você, aqui e agora. Queria saber a melhor forma de te dizer: sinto sua falta.
A luz da manhã já batia forte em seu quarto. Tentou abrir seus olhos, sua cabeça doía, seu corpo pesava. Sentou-se na cama, sua visão era embaçada. Arrastou-se até o banheiro, e com as mãos molhadas, acariciava seu próprio rosto já marcado pelo tempo. Viu seu reflexo e, pela primeira vez em muito tempo, resolveu que não sentiria pena de si mesma. Caminhou até a cozinha com suas pernas cansadas, a distância era grande, mas a ausência maior ainda. Com calma, preparou seu café da manhã e sentou-se a mesa. Na sua frente, estava seu grande amigo e companheiro: o vazio. Mas naquele dia, resolveu que era outra a companhia que queria, a de alguém que já se foi. Levantou-se e caminhou até a cozinha novamente. Voltou a mesa com mais uma xícara e um prato. Sentou-se. Abriu o jornal. Conversou, conversou, conversou - até matar qualquer sombra de saudade. E por fim, deu uma risada enquanto pensada: “Que todos os meus cafés da manhã sejam assim, com gostinho de você”.
Eu não sou sempre triste, não sou sempre feliz. Não tenho dinheiro, moro no rio de janeiro, mas gosto mesmo é de Paris. Estudo porque gosto, tiro fotos porque gosto. Escuto música e vejo filmes porque respiro. Até ler eu sei, vê só? E é isso que eu sou, paradoxo.