A luz da manhã já batia forte em seu quarto. Tentou abrir seus olhos, sua cabeça doía, seu corpo pesava. Sentou-se na cama, sua visão era embaçada. Arrastou-se até o banheiro, e com as mãos molhadas, acariciava seu próprio rosto já marcado pelo tempo. Viu seu reflexo e, pela primeira vez em muito tempo, resolveu que não sentiria pena de si mesma. Caminhou até a cozinha com suas pernas cansadas, a distância era grande, mas a ausência maior ainda. Com calma, preparou seu café da manhã e sentou-se a mesa. Na sua frente, estava seu grande amigo e companheiro: o vazio. Mas naquele dia, resolveu que era outra a companhia que queria, a de alguém que já se foi. Levantou-se e caminhou até a cozinha novamente. Voltou a mesa com mais uma xícara e um prato. Sentou-se. Abriu o jornal. Conversou, conversou, conversou - até matar qualquer sombra de saudade. E por fim, deu uma risada enquanto pensada: “Que todos os meus cafés da manhã sejam assim, com gostinho de você”.


